Curva ABC é uma forma de classificar itens, produtos ou clientes conforme sua importância para o resultado. A análise ordena os valores do maior para o menor, calcula o percentual acumulado e separa os elementos nas classes A, B e C. Assim, a empresa concentra atenção no que mais influencia receita, custo ou risco.
Todo o gestor já passou por momentos em que teve que lidar com muitas demandas, problemas e as soluções pareciam ou distantes, ou complexas demais para o momento.
Sobrecarga de trabalho, responsabilidades e cobranças são grandes neste momento. Agilidade e assertividade são exigidos o tempo todo. E a bem da verdade, qualquer erro pode significar um grande problema mais adiante.
Em meio ao caos, é preciso ter serenidade. Mas, mais do que isso, é necessário organização, disciplina, foco e fazer uso de ferramentas que realmente ajudem na gestão.
Neste sentido, a curva ABC existe para dar tempo e disciplina fundamentais para lidar com a demanda e entender a relação de casualidade dentro das empresas.
Falaremos melhor, neste artigo, sobre o que é a Análise de Pareto. Abordaremos seu conceito, origem, aplicação, característica e também benefícios.
Fique com a gente.
Boa leitura!
O que é a curva ABC?
O Princípio de Pareto é um esquema que agrupa e ordena a frequência de determinadas ocorrências dentro de uma empresa. Ele geralmente é feito em forma de gráfico – mas isso não é um obrigatoriedade.
É chamada de Regra 80/20 por conta da sua concepção que diz que 80% dos problemas, de um modo geral, são causado por 20% dos fatores.
Esse método existe para demonstrar às pessoas que é possível direcionar tempo e esforços, de uma forma organizada, em questões realmente grandes.
O mesmo serve para ações já feitas. Ao invés de despender horas e horas a fio com atividades repetidas, é possível ter foco em algumas ações específicas.
Ou seja, serve para tornar o trabalho no dia a dia mais estratégicos, direcionado àquilo que realmente faz a diferença para gerar melhores resultados.
Um dos nomes desta ferramenta, curva ABC, se dá por conta da metodologia utilizada.
Ocorre a seguinte separação para entender a origem dos 80% dos problemas e dos 20% sobre a origem dentro dos fatores:
- Classe A – a maior importância, valor ou quantidade da análise, o que corresponde a 20% do total;
- Classe B – importância, valor ou quantidade intermediária, o que corresponder a 30% do total;
- Classe C – de menor importância, valor ou quantidade, o que corresponde a 50% do total.
Se não ficou claro, explicaremos melhor. Por isso, que tal um pouco de história?
A origem da análise de Pareto
A essa altura você deve estar se perguntando sobre o porquê deste nome, “Diagrama de Pareto”.
O batismo se dá por conta de uma homenagem feita ao economista italiano Vilfredo Pareto.
Ele foi o responsável pelo desenvolvimento deste princípio, em 1892.
Sua concepção se deu da observação feita sobre as vagens de seu jardim. 20% delas continham 80% do total de ervilhas.
A partir daí, ele desenvolveu seu método e o aplicou na economia do seu país, a Itália.
Ele conseguiu provar a concentração de renda e a desigualdade social presente em solo italiano.
Sua análise acabou mostrando que 80% das riquezas do país estavam em poder de apenas 20% da população e que isso era o causador dos principais problemas econômicos nacionais.
A partir daí, a análise ABC passou a ser aplicado em muitas esferas da sociedade, mas especialmente na economia e dentro das empresas para identificar defecções.
É comum que as organizações usem essa ferramenta para ter um controle de qualidade sempre crescente.
Agora ficou um pouco mais fácil entender aqueles números citados anteriormente, certo?
Benefícios e aplicações do Princípio de Pareto para as empresas
A curva ABC é bastante utilizada por empresas que desejam um controle de qualidade muito maior sobre seus produtos, serviços e também atendimento ao cliente.
Mas, acima de tudo, o seu benefício mais claro e evidente é ser um auxiliar importantíssimo para uma tomada de decisão assertiva, baseada em dados e informações.
Quando os gestores têm um panorama completo acerca dos problemas que a empresa possui, é necessário priorizar quais soluções ocorrerão primeiro.
Até porque, desta forma fica muito mais fácil evitar crises possíveis por conta de uma criação de estratégias de combate mais assertivas.
Logo, sabendo quais ações fazem sentido para que as metas e objetivos sejam alcançados, fica muito mais fácil focar tempo, esforços e recursos naquilo que realmente elimina o problema com efetividade.
Outra utilização comum do Diagrama de Pareto é na busca de causas e efeitos, existentes dentro da gestão de qualidade, para encontrar causas que acabam gerando o maior número de efeitos.
Todavia, outros setores das empresas podem e devem se beneficiar desta prática. Afinal, identificar o que realmente prejudica a empresa em diversos níveis é algo que todo gestor deseja, certo?
Listar os pontos, ordenar importância e concentrar os esforços nas ações que são mais efetivas é sem dúvida alguma uma boa prática.
O diagrama de Pareto nas decisões da empresa
Quando as empresas encontrar dificuldade em fidelizar seus consumidores, é comum pensar e executas novas estratégias de marketing tanto para manter quem já está na empresa, como na captação de clientes.
Todavia, a solução pode estar dentro de casa, na correção dos processos – o que evitará um gasto de dinheiro desnecessário.
Por isso, é comum ver a curva ABC sendo aplicada na identificação dos melhores clientes, fornecedores e nas falhas ao longo do processo de vendas, por exemplo.
Claro que essa deve ser uma construção em conjunto, com todos os envolvidos.
E é importante, também, ter as métricas de vendas adequadas neste momento para ter clareza onde o gerenciamento está falhando.
Se você deseja entender melhor quais as oportunidades mais promissoras, que tal segmentar a clientela?
Crie uma lista de seus melhores consumidores.
Depois, ordene dos que mais consomem para os que menos consomem e, a partir daí, crie segmentações para atrair essa persona.
Como fazer a curva ABC passo a passo
Exemplo de curva ABC com números
Considere dez itens que, juntos, faturaram R$ 100 mil. Depois de ordenar o faturamento e calcular o percentual acumulado, a classificação pode ficar assim:
| Item | Faturamento | Percentual acumulado | Classe |
|---|---|---|---|
| Item 1 | R$ 30.000 | 30% | A |
| Item 2 | R$ 22.000 | 52% | A |
| Item 3 | R$ 18.000 | 70% | A |
| Item 4 | R$ 10.000 | 80% | B |
| Item 5 | R$ 7.000 | 87% | B |
| Item 6 | R$ 5.000 | 92% | B |
| Item 7 | R$ 3.000 | 95% | C |
| Item 8 | R$ 2.000 | 97% | C |
| Item 9 | R$ 2.000 | 99% | C |
| Item 10 | R$ 1.000 | 100% | C |
Os limites podem variar conforme o negócio. O objetivo é usar uma regra consistente que ajude a definir prioridade, sem tratar a classificação como uma divisão rígida.
Se ainda não ficou claro, precisa estar agora. O objetivo da análise é, a partir do universo todo de dados e informações, encontrais quais aqueles específicos que representam um impacto maior e decisivo no todo.
Dito isso, seguimos.
É bastante comum desenvolver em planilhas o Princípio de Pareto, até por ser uma forma de organização que basicamente todos estão acostumados.
Para tal, separamos um passo a passo básico.
- Identifique e defina o que será tratado na Regra 80/20. Despesas, custos, vendas, estoque… o quê?
- Em uma coluna na planilha, ponha o valor. Na outra, a descrição, lado a lado, deste valor;
- No final da coluna, utilize a fórmula de soma e faça o cálculo do valor total de todas os valores levantados;
- Coloque na coluna, ao lados dos valores, uma outra coluna. Essa se chamará: Pareto.
Feito isso, na coluna Pareto você irá calcular o percentual que cada valor representa no todo do seu negócio.
Digamos que a sua conta com aluguel da sede da empresa tem o valor de R$ 4.250,00 mil. Já o valor total – ou seja, a soma de todos os gastos – é de R$ 450.500,00 mil.
Com esses números postos, faça a seguinte conta:
4250 / 450500 = 0,0094 x 100 = 0,94% dos gastos totais.
0,94%… podemos concluir que, portanto, depois de lermos o que é a curva ABC, que esse não é um item exatamente relevante para analisar.
Essa porcentagem é muito pouco representativa em relação a todos os gastos e não deve ser, em um primeiro momento, fruto de uma análise profunda.
Agora, pegue os outros valores e veja quais representam uma fatia maior e foque-se neles. Eles são o foco da questão.
Curva ABC de clientes
Na carteira de clientes, a classe A reúne contas com maior participação na receita ou na margem; a classe B concentra uma contribuição intermediária; e a classe C inclui clientes de menor peso individual. A classificação ajuda a dimensionar atendimento, retenção e expansão, mas não deve reduzir a qualidade mínima oferecida a nenhuma conta.
Para aplicar, some a receita de cada cliente no período, ordene do maior para o menor e calcule o percentual acumulado. Use a classe A para acompanhamento próximo de riscos e oportunidades, a B para planos de crescimento e a C para processos eficientes e escaláveis.
A curva ABC no controle de qualidade das empresas
Com gastos fixos fica mais fácil aplicar o Princípio de Pareto, não é mesmo? Basta, por exemplo, pegar os boletos a serem pagos e analisar.
Mas, e quando esse método é aplicado na gestão administrativa das empresas, para gerenciar uma questão específica?
Vamos pensar em um problema que as organizações podem enfrentar e que o atendimento ruim ao consumidor é um deles.
Depois, liste os demais problemas possíveis: produto caro? Falta de informações aos clientes? Demora em dar andamento nos processos?
Você precisa, inicialmente, ter canais para que possa receber esses feedbacks e uma forma prática de reunir todos eles.
Em ordem decrescente, registre uma a uma dessas ocorrências. Se o atendimento ruim tiver ocorrido em maior quantidade, então é ele quem estará no topo da lista.
O cálculo você já sabe fazer, certo?
Coloque a mão na massa, identifique os problemas reais e melhore os processos.
Esse é o caminho para crescer de forma saudável, sustentável, gerar mais valor para os clientes e, claro, vender mais e melhor.
E aí, como podemos te ajudar?
Se você ficou com dúvida sobre o conteúdo ou, então, quer compartilhar alguma “dor” no gerenciamento de seus negócios, fale com um consultor ainda hoje.
Aproveite e leia dois artigos que ajudarão você a gerir melhor sua empresa diariamente.
O primeiro da importância do BPM, Business Process Management para qualquer negócio.
Já o segundo aborda como a metodologia OKR ajuda as empresas a melhorarem seus resultados e processos.
Boas vendas!
Um abraço do PipeRun, o seu CRM. #RunPipeRun
Perguntas frequentes sobre curva ABC
Qual o percentual de cada classe na curva ABC?
Não existe um limite obrigatório. Uma referência comum coloca a classe A até cerca de 80% do valor acumulado, a B na faixa seguinte e a C no restante. A empresa deve ajustar os cortes ao objetivo da análise, ao número de itens e à concentração dos resultados.
Como fazer a curva ABC?
Liste os itens e seus valores no período, ordene do maior para o menor, calcule a participação de cada item no total e depois o percentual acumulado. Por fim, defina os limites das classes A, B e C e registre quais decisões serão tomadas para cada grupo.
Curva ABC e princípio de Pareto são a mesma coisa?
Os conceitos são relacionados, mas não idênticos. O princípio de Pareto descreve a concentração de efeitos em poucas causas. A curva ABC transforma essa lógica em uma classificação prática de itens, clientes ou produtos, usando o peso acumulado para orientar prioridades de gestão.
Com que frequência a curva ABC deve ser atualizada?
A frequência depende da velocidade do negócio. Operações com muitas vendas podem revisar mensalmente; ciclos mais longos podem usar períodos trimestrais ou semestrais. Refaça a análise quando houver mudança relevante no mix, na carteira, nos custos ou no comportamento de compra.













